Mais um golpe do clã Sarney na população de Rosário

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Cinco milhões despejados no terreno em que deveria estar funcionando o hospital de média complexidade de Rosário, com 50 leitos de UTI

Uma das maiores cidades do Maranhão, Rosário, localizada a 75 quilômetros de São Luís, é um exemplo de como os cinquenta anos de coronelismo foram prejudiciais para o desenvolvimento social e econômico do estado. O município, com pouco mais de 40 mil habitantes, é uma das maiores vítimas da corrupção desenfreada e da ganância do clã Sarney por poder e dinheiro público.

Na última segunda-feira (29), uma reportagem exclusiva do jornal O Imparcial revelou que o ex-secretário Ricardo Murad, cunhado da ex-governadora Roseana Sarney, pagou quase R$ 5 milhões pela construção de um hospital de 50 leitos na cidade. No entanto, a obra paga quase que integralmente sequer fora iniciada.

Nenhum tijolo empilhado foi encontrado pela equipe de reportagem que justifique o pagamento feito pelo ex-secretário estadual de Saúde a Ires Engenharia, que, por sinal, foi uma das construtoras que contribuíram com pomposas doações para as campanhas eleitorais dos deputados estaduais Andrea Murad e Sousa Neto.

No local em que deveria estar instalada a unidade de saúde de média complexidade, encontraram apenas barro, lama e mato. Assim como no terreno da natimorta Refinaria Premium I, que acabou com as perspectivas de prosperidade da população da região do Munim.

Mas não é de hoje que o grupo Sarney aplica golpes nos moradores de Rosário. Em 1994, Roseana Sarney, então governadora do estado, inaugurou o Polo de Confecção com a promessa de criar 10 mil empregos diretos e exportar roupas para todo o mundo.

Duas décadas depois do lançamento do empreendimento, o saldo de mais um estelionato político é devastador. 300 milhões foram desviados de um empréstimo do Banco do Nordeste, 3.600 famílias ficaram endividadas e o local onde deveria estar funcionando o polo se transformou em um cemitério de prédios deteriorados no meio do mato.

Rosarienses também aguardam até a presente data pela restauração da histórica Estação Ferroviária para a instalação de um complexo cultural no local. Garantida por um convênio com o Governo Federal, a obra sequer começou a ser executada, devido à falta de compromisso dos governos de Roseana com o povo de Rosário.

Papagaio de pirata: Sem mandato, Sarney se infiltra em cerimônias no Planalto

José SarneySem mandato desde fevereiro deste ano, o ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP) alardeia que está tentando se afastar da vida política, mas continua a participar de cerimônias ao lado de ministros e da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Desde que deixou o cargo de senador, Sarney já participou de pelo menos três cerimônias no Palácio do Planalto, todas com a presença da presidente, e acumula cargo na hierarquia do PMDB.

Sarney deixou o Senado em fevereiro deste ano após quase 60 anos cumprindo mandatos políticos, aos 85 anos de idade. Na ocasião, disse que iria se dedicar à literatura e que se arrependia de ter voltado à vida política após deixar a Presidência da República em 1990.

Com informações do site BOL.

Caso de polícia: Rogério Cafeteira denuncia mais uma irregularidade de Ricardo Murad

image188O deputado e líder do governo na Assembleia Legislativa, Rogério Cafeteira (PSC), denunciou irregularidades no processo licitatório da construção do hospital de Rosário. Rogério lembrou que auditoria realizada pela Secretaria de Transparência do Estado aponta para graves irregularidades, além de pagamentos ilegais. Segundo ele, para a construção do hospital de 50 leitos foram pagos 4,8 milhões de reais, no entanto, efetivamente, só foram medidos R$ 591.074,00 em terraplanagem.

“E aqui é importante que se ressalte esse tipo de procedimento que aconteceu, que não é o único infelizmente, foi no montante de mais de 240 milhões de reais pagos no fim do governo de forma irregular, sem a devida autorização do BNDES. Esses pagamentos, essas irregularidades causaram a paralisação das obras e prejuízo gigantesco não só à população, como às empresas que ficaram sem a possibilidade de receber, pois o banco cobrava do Estado 243 milhões de pagamentos indevidos”, concluiu.

Rogério afirmou que o ex-secretário Ricardo Murad vai ter que se explicar e prestar contas obre o pagamento do hospital e que se trata de um caso de polícia já que houve desvio de recursos públicos e inúmeras irregularidades na licitação. “Os procedimentos de auditoria não são de agora. Quem cobra também tem que pagar”.

Áudio desmente versão de que padre teria sido “agredido” em reunião

25062015_Apresentação-da-proposta-de-regulamentação-do-Comitê-de-Combate-à-Tortura-Fotos-Karlos-Geromy-7Diz a Bíblia Sagrada no versículo 44 do 8º capitulo de João: “Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo; e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio, e jamais se apoiou na verdade, porque não existe verdade alguma nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio, pois é um mentiroso e pai da mentira”.

Para dirimir dúvidas e discussões acaloradas sobre o debate entre o governador Flávio Dino e o padre Roberto Perez, o blog do jornalista Raimundo Garrone divulgou o áudio de grande parte da reunião entre o governador e movimentos sociais para a instalação do Comitê de Combate à Tortura no Estado.

São quase 30 minutos de áudio e o que se pode perceber é que a reunião aconteceu no clima de total tranquilidade, com divergência de opiniões ocorridas de forma bastante respeitosa – ao contrário do que diz a nota da Pastoral Carcerária, que conta ter havido “desrespeito” e “achincalhe” em relação a seu representante na reunião. O áudio comprova ainda que não houve em nenhum momento a pintura de que Pedrinhas seria o lugar perfeito. Ao contrário, o governador afirmou que o local ainda tem muito a melhorar. E mais: convidou o padre para uma reunião para tratar do tema penitenciário com mais profundidade – longe de qualquer comportamento “agressivo” a que se refere a nota da Pastoral.

O registro, portanto, põe fim ao debate de versões e esclarece o que cada um disse durante a reunião, para que não restem dúvidas. Aos interessados, vale ouvir a íntegra que joga por terra a versão de que tenha havido problema na reunião, além de visões diferentes sobre o mesmo tema. (Debate sobre sistema carcerário acontece a partir de 8min20seg).

Abaixo, alguns dos principais trechos esclarecedores:

Flávio Dino: “(…) Estamos procurando recompor a autoridade do Estado dentro do Complexo Penitenciário, em outras bases. Há quem espere, irresponsavelmente, que isso aconteça em 15 dias. (…) O que eu me comprometi foi em ter uma política, e essa política existe, e está sendo implementada, progressivamente. Implementada com todos os problemas próprios de um processo coletivo. (…) O combate à tortura passa também pela melhoria das condições carcerárias no nosso Estado. E nós vamos conseguir isso, com absoluta certeza.”

Padre Roberto Perez: “Tenho visitado alguns presídios e algumas unidades na capital e no interior. E só pra dizer que nos últimos meses tem se criado uma política de agressão total. De fevereiro para cá, visitei algumas unidades e está parecendo o Carandiru. (…) Só para dar uma olhada para o sistema penitenciário. Só nos últimos meses, agora saiu a maior (trecho inaudível), mas estava feia a situação(…)”

Flávio Dino: “Quando o senhor alude aos últimos meses, o senhor acha que o ano passado estava melhor do que agora?”

Padre: “Não é que seja melhor, o antigo secretário Uchoa ele era muito de conversa. Ele chegava, conversava, chamava algumas pessoas, inclusive eu participava de alguns diálogos diante daqueles momentos difíceis. (…) Nesse sentido, o secretário Uchoa tinha um pouquinho mais de diálogo. (…) Agora tá um pouquinho pior.”

Flávio Dino: “Um pouquinho pior, o senhor tem certeza?”

Padre: “Sim.”

Flávio Dino: “A sorte é que a estatística mostra o contrário da sua certeza. Agora nós vamos fazer o seguinte, padre. Nós vamos fazer uma reunião com a Pastoral Carcerária e o secretário na minha presença. Porque é surpreendente a sua narrativa de que piorou o sistema penitenciário do Maranhão. Porque os números, a não ser que os números estejam errados, eles mostram o contrário disso. (…) Se o senhor conseguir me provar que o sistema penitenciário piorou em relação ao ano passado, onde se cortava cabeça e se jogava por cima do muro, eu vou ficar impressionado. Mas nós vamos fazer essa reunião só para discutir isso, com a minha presença.”

Em seguida, a integrante da Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos (Joisiane Gamba) fez outro relato diferente do padre. Disse que não está pior, mas a superlotação e o problema da dignidade dos presos permanecem. Quanto aos pontos narrados por Gamba, Flávio Dino concordou e falou de medidas que estão sendo tomadas para que, em alguns meses, o caso possa melhorar.

Trazidos à tona os detalhes do polêmico debate e esclarecido que, diferentemente do que dizem as notas da Carcerária e da Justiça e Paz, tudo ocorreu dentro da normalidade democrática, fica o desejo de que – longe das energias gastas em produzir cizânias com motivos políticos – todos se dediquem realmente promover o avanço dos Direitos Humanos. Essa é a causa que realmente interessa.

Ouça, na íntegra:

Após entrevista com Bira, radialista sai do ar na rádio de Roberto Rocha

GilbertoLimaRelato do radialista Gilberto Lima

Mais um ciclo se encerra em minha carreira profissional na comunicação. O programa “Comando da Noite”, depois de garantir uma das maiores audiências para a Rádio Capital AM, no horário de 21h às 23h30, chega ao fim. A marca Comando da Noite continuará comigo. Tem sido assim, desde o ano de 2001, quando lancei esse programa na Rádio Educadora AM, em um período em que nenhuma emissora ocupava o horário noturno com radiojonalismo. Uma aposta exitosa, pois, em seguida, outras emissoras passaram a inserir jornalismo na programação da noite.

E por que tomo essa decisão? Na verdade, fui forçado a isso, desde que a direção da emissora (não sei a mando de quem) determinara, na semana passada, a redução do horário do programa para apenas uma hora, das 23h à meia-noite. Um espaço de tempo diminuto para um programa de grande audiência e participação popular. A direção tinha a certeza que, com apenas uma hora de programa, reduziria a audiência e me faria desistir. Na verdade, a vontade dela (a direção) era me tirar de vez da rádio. Não o fez para que não houvesse repercussão maior. Queria que eu tomasse a iniciativa de sair. E conseguiu.

Mas o que teria levado a direção da rádio a tomar essa decisão? Talvez uma entrevista, ao vivo, com o deputado licenciado e Secretário de Estado da Ciência Tecnologia e Inovação, Bira do Pindaré, no programa de terça-feira (23). Bira tem discordado dos posicionamentos do mandatário do PSB, dono da emissora, na condução da aliança em torno de uma candidatura a prefeito de São Luís. Bira do Pindaré defende a continuidade do apoio a Edivaldo Holanda ou o lançamento de candidatura própria, sempre seguindo orientações do grupo liderado pelo governador.

O que fiz, sem saber dessa disputa interna no PSB? Convidei Bira para fazer um balanço das ações de sua pasta. O suficiente para que eu fosse penalizado. Na tarde do dia seguinte, quarta-feira (24), vinha a sentença: o Comando da Noite teria apenas uma hora de duração, das 23h à meia-noite. Por que sair do São Cristóvão, tarde da noite, para apresentar apenas uma hora de programa, numa emissora localizada no Calhau, distante cerca de 16 Km? Poderia fazê-lo em respeito aos ouvintes. No entanto, não posso aceitar essa falta de respeito, primeiro aos ouvintes, depois a um profissional que tem 26 anos de atuação na imprensa maranhense e quem tem conquistado seu espaço com muito trabalho.

Eu ainda estava concluindo este texto quando fui surpreendido, no fim da tarde desta segunda-feira (29), com um telefonema do diretor operacional da emissora, Paulo Henrique, comunicando que o programa, por decisão da direção, estava suspenso por tempo indeterminado.

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Delator diz que tratou propina de R$ 1 milhão diretamente com Lobão

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Ricardo Pessoa, da UTC/Constan, confessa que pagou propina de R$ 1 milhão a Edison Lobão

O Globo – O dono das construtoras UTC e Constran, Ricardo Pessoa, disse em sua delação premiada que fechou diretamente com o senador Edison Lobão (PMDB-MA) o repasse de R$ 1 milhão em propinas e que o acerto, segundo ele, incluía atender com atenção especial a pedidos de doação eleitoral feitos pela cúpula do PMDB no Senado. Lobão era ministro de Minas e Energia e, conforme Pessoa, a suposta propina milionária serviria para garantir contratos de consórcio integrado pela UTC nas obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ).

Um consórcio formado por UTC, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht — todas investigadas na Operação Lava-Jato e suspeitas de integrarem o “clube do cartel” — executa as obras. O grupo venceu uma concorrência no fim de 2013 para obras em Angra 3, no valor de R$ 3,1 bilhões. Por ter saído vencedor, o consórcio optou por um pacote de obras que inclui edificações não nucleares, no valor de R$ 1,75 bilhão.

Com o êxito da contratação, o dono da UTC disse ter interpretado que o acordo da suposta propina a Lobão deveria estender benefícios aos caciques do PMDB no Senado. Os registros das doações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) corroboram o que Pessoa afirmou na delação. A direção do PMDB em Alagoas, controlada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu um repasse da UTC de R$ 500 mil em agosto e outro de R$ 500 mil em setembro de 2014. O filho de Renan, Renan Filho (PMDB), foi eleito governador de Alagoas. Já a direção do PMDB de Roraima — controlado pelo senador Romero Jucá — foi financiada com três repasses de R$ 1,5 milhão ao todo, também em agosto e setembro de 2014. A direção do PMDB na Bahia ganhou R$ 300 mil da UTC, conforme os registros do TSE, e a direção nacional do partido, mais R$ 500 mil.

Ainda conforme a delação, Pessoa afirmou que repassaria às demais empreiteiras do consórcio a necessidade de ratear a suposta propina a Lobão e de dar atenção especial a doações aos demais representantes do PMDB no Senado. Pessoa enxergava em obras de usinas nucleares um filão para garantir à UTC a presença no grupo das maiores empreiteiras do país. Na delação, ele citou outros pagamentos para a participação em Angra 3: o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, recebeu R$ 50 mil mensais para influir em processos do tribunal, mais R$ 1 milhão sobre um processo de Angra 3, conforme o empreiteiro.

O advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida, diz que “delações em série perderam a confiança”. Segundo ele, depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já se contradiziam sobre um suposto repasse de R$ 1 milhão em propina.

Jucá disse ao GLOBO não saber o que Lobão e Pessoa trataram sobre doações ao PMDB:

— Em Roraima, houve doação tanto para o PT como para o PMDB. Alguém do PMDB nacional tratou do assunto, e houve doações para o partido nos estados. Conheço Pessoa, mas não tratei de doações com ele.

O GLOBO procurou a assessoria de Renan, que não deu retorno até o fechamento desta edição.

O preço da mudança

jabuti-árvoreMudar prioridades governamentais é sempre difícil. Sobretudo porque há os privilegiados que resistem para defender seus interesses. O governador Flavio Dino tem sintetizado o preço da mudança contando uma história. Diz ele que encontrou muitos jabutis comendo dinheiro público nas árvores do Palácio dos Leões. E que, na medida que vai tirando os tais jabutis das árvores, os seus donos costumam gritar.

Gritam porque tem saudade das festinhas com caviar e champanhe, de passeios em helicópteros e aviões pagos com dinheiro público, de mensalinhos e propinas, como as pagas por Alberto Youssef para ocupantes do Palácio dos Leões.

O Maranhão precisava e precisa mudar isso tudo. E está mudando. Basta ver planos como o Mais IDH e o Escola Digna para avaliar o papel do governo Flavio Dino. Ou enxergar como se agigantou o trabalho de órgãos como o PROCON, agora livre das pressões dos poderosos, que amarravam sua atuação.

Claro que quem perdeu poder e dinheiro só vê tristeza e só fala em tristeza. Tudo piorou para eles. Que bom. Significa que está melhorando para todos os outros, abandonados por 50 anos de coronelismo e corrupção.