João Abreu viaja para os Estados Unidos

roseana joao abreu

Sócio da família Sarney em vários empreendimentos, João Abreu é acusado de receber a propina paga à ex-governadora Roseana pelo doleiro Alberto Youssef.

Arrolado no esquema de corrupção investigado no âmbito da Operação Lava Jato, o empresário João Abreu resolveu curtir férias de fim de ano com a família nos Estados Unidos.

Abreu deixou o comando da Casa Civil do governo Roseana Sarney após a revelação de que ele teria aceitado suborno do doleiro Alberto Youssef para autorizar o pagamento do precatório de R$ 113 milhões à construtora Constran.

Youssef foi preso em São Luís, no mês de março, depois de entregar uma mala com R$ 1,4 milhão em espécie a um assessor do executivo estadual, referente a primeira parcela da propina de R$ 6 milhões negociada com o governo Roseana.

A edição desta semana da Veja trouxe novos detalhes do esquema criminoso instalado dentro do Palácio dos Leões. De acordo com a publicação, a ex-governadora e o ex-secretário teriam recebido mais R$ 900 mil em propina, transportados em três remessas por Rafael Ângulo Lopez, uma espécie de mula de Youssef.

Editorial: A governadora sumiu

Folha de São Paulo

roseana“Ela deixou a bagunça para trás e sumiu. Vou tomar posse no escuro”. O protesto é do futuro governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Eleito com 64% dos votos, ele está preocupado com o buraco nas contas do Estado. Terá que esperar até o próximo dia 1º para descobrir o tamanho das dívidas. Sua antecessora, Roseana Sarney (PMDB), renunciou na semana passada para não dar posse ao rival.

“Vamos ter que trocar os trilhos e botar o trem para andar ao mesmo tempo”, reclama Dino, um ex-juiz federal de 46 anos, que se elegeu com a promessa de dar fim ao reinado de cinco décadas da família Sarney.

O novo governador diz que já esperava uma transição difícil, mas está surpreso com a falta de informações básicas sobre o caixa estadual. Faltam números sobre contratos, repasses a prefeituras e pagamentos a funcionários terceirizados.

“Estão interrompendo os pagamentos na área da saúde, que não tem concurso público há cerca de 20 anos. A dívida com os precatórios está explodindo, e a gente não sabe o que vai ser quitado e o que vai ficar para o ano que vem”, afirma Dino.

Pelo “Diário Oficial”, a equipe do novo governo fica sabendo de medidas como a renovação de contratos que só venceriam em 2015. “É uma atitude pueril de sabotagem”, reclama o próximo governador.

No discurso de despedida, Roseana disse que renunciou por motivos “estritamente pessoais, sem qualquer conotação de ordem política ou de qualquer outro interesse”. Fez elogios à própria gestão e afirmou que o Maranhão “voltou a trilhar um novo caminho de crescimento”, embora o Estado ainda tenha o segundo pior resultado do país no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. “Saio com a certeza do dever cumprido”, concluiu a ex-governadora.

Para Dino, a transição foi apenas um dos deveres que ficaram pelo caminho. “Eles achavam que o governo seria eterno e que esse momento nunca iria chegar”, critica.

Alguns coronéis da PM querem boicotar governo Flávio Dino, afirma Tavares

Blog do Jorge Aragão

O deputado estadual e futuro Chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, denunciou nesta segunda-feira (15), na Assembleia Legislativa, que alguns coronéis da Polícia Militar do Maranhão estão querendo boicotar o governo Flávio Dino.

Marcelo-TavaresSegundo Tavares, foi lançado um Edital no site da Polícia Militar do Maranhão para a realização de um curso de dois anos fora do Estado. De acordo com o parlamentar, 50% doas atuais coronéis estariam inscritos para participar do curso de aprimoramento.

“Não somos contra nenhum curso de aprimoramento, mas é preciso respeitar o bom senso. A Polícia Militar vai mandar 12 coronéis dos 24, para fazer curso por dois anos, próximos das belas praias de Natal. Além dos coronéis, outros oficiais e praças também irão para o mesmo curso. Esses coronéis querem boicotar o próximo Governo, querem mostrar insubordinação ao governador eleito do Maranhão Flávio Dino”, afirmou.

Marcelo Tavares ainda disse que não existe a intenção de perseguir ninguém, mas que no futuro governo não será admitido que coronéis fujam do dever público.

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MP, TCE e OAB silenciam sobre denúncias contra Roseana Sarney

Nem o envolvimento dos principais nomes da política maranhense no que parece ser o maior escândalo de corrupção do país tem sido suficiente para tirar o Ministério Público do Maranhão (MPMA), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Tribunal de Contas do Maranhão (TCE) da letargia imposta pelos 50 anos de subserviência aos interesses do clã Sarney.

roseana mario macieira
Em família: OAB, presidida pelo primo de Roseana Sarney, Mário Macieira, ainda não se posicionou sobre o suposto pagamento de propina à ex-governadora nas dependências do Palácios dos Leões.

Roseana Sarney, por exemplo, é relacionada ao escândalo da Petrobrás desde a deflagração da Operação Lava Jato, em Março passado, acusada de ter exigido R$ 6 milhões em propina do doleiro Alberto Yousseff para liberar o pagamento de um precatório da Constran. Na edição desta semana, a Veja revelou que a ex-governadora teria recebido suborno nas dependências do Palácio dos Leões.

O Ministério Público do Maranhão, sempre tão tolerante com os desmandos dos Sarney, Lobão, Murad e companhia, ainda não se manifestou sobre as graves suspeitas que pesam contra o melhor governo da vida de Roseana Sarney. Em agosto, até chegou a abrir investigação, no entanto, vencidos os 90 dias estabelecidos para a apuração, o órgão comandado pela procuradora Regina Rocha — tia do ex-secretário Hildo Rocha e com fortes relações afetivas com a oligarquia — não divulgou uma nota sequer sobre o caso.

O mesmo pode ser dito sobre a Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão, presidida pelo primo da ex-governadora, o advogado Mário Macieira, cuja esposa participou diretamente da gestão acusada de receber dinheiro do doleiro. Diante desse silêncio sepulcral, muita gente começa a se preocupar com a reputação da secção local de uma instituição ainda digna do respeito da sociedade brasileira.

Responsável por fiscalizar desvios e ilegalidades que tiverem origem nos altos escalões dos governos, o Tribunal de Contas do Estado também tornou-se cúmplice do crime contra o erário estadual e aprovou, sem ressalvas, a prestação de contas de 2013 da filha de José Sarney, mesmo diante das gritantes irregularidades no acordo firmado entre o governo do Maranhão e a empresa de Ricardo Pessoa (também preso pela Polícia Federal), que transformaram o precatório de R$ 49 milhões numa dívida de quase R$ 120 milhões. A relatoria das contas aprovadas ficou a cargo de um familiar de Roseana.

Servidores tercerizados relatam calotes na Saúde, Segurança, Infraestrutura e Educação

SEM SALARIO

Calote à vista!

Servidores terceirizados do ISEC – Instituto Superior de Educação Continuada – informam ao blog que até o exato momento não receberam o salário de novembro.

Há 15 dias do final do melhor governo da vida de Roseana Sarney, a Secretaria de Estado da Educação (Seeduc) diz estar viabilizando recursos para regularizar a folha de pagamento.

Funcionários lotados nas secretarias de Segurança, Saúde e Infraestrutura também relatam atrasos salariais.

O caso mais grave é o dos médicos, enfermeiros e demais colaboradores da rede estadual de saúde, contratados pelas Oscips Bem Viver e ICN, com vencimentos atrasados desde o mês de outubro.

O temor é que a situação se agrave com o não pagamento dos valores referentes a dezembro e décimo terceiro salário.

Alexandre Garcia critica aposentadoria vitalícia de Arnaldo Melo

Capturar

O jornalista Alexandre Garcia comentou a aposentadoria vitalícia do governador tampão, Arnaldo Melo (PMDB), na manhã desta segunda-feira, durante a exibição do Bom Dia Brasil.

O programa levou ao ar uma reportagem destacando que o Maranhão é o estado onde mais se explora a mão-de-obra infantil no país. 7,4% das crianças e adolescentes maranhenses, entre 5 e 15 anos, trabalham, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE.

Ao comentar mais esse vergonhoso ranking, o apresentador Chico Pinheiro fez questão de lembrar que Arnaldo Melo terá o direito a um salário vitalício de R$ 24 mil, por ocupar o comando do Palácio dos Leões durante 20 dias.

“Sempre o Maranhão. O artigo 45 da constituição estadual diz que quem terminar o mandato ganha aposentadoria de governador. Agora o contribuinte terá que pagar aposentadoria para dois governadores”, afirmou Garcia em tom de ironia.

“Pois é. Está resolvido o problema dele”, exclamou o âncora da TV Globo.

Imagem do dia: Dino visita o Palácio dos Leões

Foto 5 - Governador Arnaldo Melo recebe Flávio Dino  foto_ Handson Chagas

O governador eleito do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi recebido no fim da tarde deste domingo (14), no Palácio dos Leões, pelo governador interino Arnaldo Melo (PMDB).

Foto 1 Governador Arnaldo Melo recebe Flávio Dino foto Ha_ndson Chagas

Os dois conversaram sobre questões administrativas. Na ocasião, o comunista conheceu as dependências da sede do executivo estadual, incluindo a área residencial. Ele também conversou com servidores do Palácio dos Leões.

Foto 8 Governador Arnaldo Melo recebe Flávio Dino  foto H_andson Chagas

O governador eleito estava acompanhado da esposa, Daniela Lima; dos futuros secretários da Casa Civil, Marcelo Tavares; de Articulação Política, Márcio Jerry, e Joslene da Silva Rodrigues, que será Secretária Chefe de Gabinete do próximo governador.

Desvio no petrolão é 6 vezes maior que o identificado no mensalão

O Globo

Pivô do escândalo do Petrolão ladeado por Roseana Sarney e Edison Lobão, ambos beneficiados pelas remessas de propina que
Paulo Roberto Costa: pivô do escândalo do Petrolão ladeado por Roseana Sarney e Edison Lobão, ambos beneficiados pelas remessas de propina oriundas de desvios na Petrobras. 

Uma lista de 36 envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras denunciados à Justiça foi lida na última quinta-feira pelo procurador da República Dalton Dellangnol em Curitiba. Eles foram responsabilizados pelo desvio de R$ 286,4 milhões de contratos da diretoria de Abastecimento da estatal com seis empreiteiras, mas o Ministério Público já pediu o ressarcimento de R$ 1,1 bilhão. É o que já se sabe que foi desviado da estatal pelo mesmo grupo também na diretoria de Serviços. O procurador frisou que a denúncia é apenas a primeira de uma investigação que ainda está em curso, mas o escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava-Jato na Petrobras já é um dos maiores das duas últimas décadas. Somente os prejuízos apurados até agora já representam mais de seis vezes o que abasteceu o mensalão. A comparação se limita aos valores que foram apurados em casos que vieram à tona e também não leva em consideração o impacto político.

ROMBO DEVE SER MAIOR

Em 2005, investigações da Polícia Federal, Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público apontaram que R$ 101,6 milhões foram desviados dos cofres públicos, principalmente do Banco do Brasil, para pagamentos não declarados a parlamentares da base do governo. Considerando a inflação acumulada desde 2005, esse valor seria o equivalente hoje a pouco mais de R$ 170 milhões. Aplicando uma correção monetária estimada aos valores que aparecem nas denúncias resultantes da investigação de outros escândalos recentes para torná-los comparáveis ao da Petrobras, é fácil perceber que o caso da estatal tem tudo para superá-los. A cobrança de propinas de empreiteiras por executivos da Petrobras em troca de contratos superfaturados foi descoberta pela PF a partir da investigação de um esquema de lavagem de dinheiro operado por doleiros como Alberto Youssef, que está preso. Os investigadores estimam que R$ 10 bilhões podem ter passado pelo esquema.

No entanto, o volume de dinheiro que alimenta propinodutos nem sempre expressa o impacto político que eles produzem.

— No caso do mensalão, poucas cifras de fato apareceram. Não foi só o volume de dinheiro público envolvido que chamou a atenção do país. O maior impacto veio da revelação da relação estabelecida entre pessoas muito poderosas no governo, que tinham biografias significativas, e parlamentares. Era a exposição de um projeto de permanência no poder — analisa a historiadora Maria Aparecida Aquino, professora da Universidade de São Paulo (USP).

Se de fato o que já se revelou até agora sobre o superfaturamento de contratos na estatal for apenas a ponta de um grande iceberg, o escândalo revelado pela Lava-Jato tem tudo para rivalizar com o abalo que o mensalão provocou no país. Isso porque tem repercussões fortes no mundo dos negócios e na política. Assim como o julgamento do caso do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou um paradigma ao condenar à prisão poderosos como ex-parlamentares e ex-ministros, as denúncias da Operação Lava-Jato podem dar um fim parecido a altos executivos de algumas das maiores empresas do país.

Alberto Youssef: Operador do esquema foi preso em São Luís, enquanto transportava R$ 1,4 mi para subornar Roseana Sarney.
Alberto Youssef: Operador do esquema foi preso em São Luís, depois de pagar R$ 1,4 milhão em suborno ao governo do MA. 

Por outro lado, o caso tem ainda uma bomba política prestes a explodir: a lista de parlamentares e políticos denunciados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na delação premiada. Em depoimento no Congresso no último dia 2, ele deixou escapar que teria denunciado entre 35 e 40 políticos. A lista é mantida sob sigilo pelo ministro do STF, Teori Zawaski, por causa do foro privilegiado dos citados. Até agora, sabe-se que há envolvidos do PT, PP e PMDB, que apadrinharam os executivos da Petrobras investigados.

— O caso da Petrobras não é o primeiro nem será o último escândalo. A corrupção sempre existiu e não é um problema só do Brasil. O que um escândalo como esse nos ensina é que a sociedade precisa vigiar mais — diz Maria Aparecida.

Flávio terá rádio pública e internet para enfrentar reação dos Sarney

Luiz Carlos Azenha

flavio dinoEm primeiro de janeiro um jovem de apenas 46 anos de idade, ex-juiz federal, ex-deputado e ex-presidente da Embratur, assume o governo do Maranhão com o compromisso de proclamar a República no Estado.

Trata-se de Flávio Dino, o primeiro governador eleito na história do Partido Comunista do Brasil.

As expectativas em torno de seu governo são imensas: depois de quase 50 anos de controle do Maranhão pela oligarquia do senador José Sarney — com breves interrupções aqui e ali –, metade da população maranhense não dispõe de saneamento básico. É um dado que diz tudo.

Mas há outros: embora esteja em décimo sexto lugar em Produto Interno Bruto, o Maranhão tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da federação, o que reflete uma desigualdade ainda maior que a do restante do país.

Flávio Dino defende o diálogo com todas as forças políticas a partir de convicções claras. Diz que não vai fazer um governo de revanchismo contra os Sarney e seus associados. Porém, sabe que ao implantar a impessoalidade nos negócios do Estado vai acabar atacando os privilégios da oligarquia, que se projetou nacionalmente justamente para preservar o completo domínio sobre os negócios locais.

Um domínio expresso muito além das rodovias, escolas, ruas, cidades, prédios públicos e monumentos que levam “Sarney” no nome. Um domínio que só se tornou possível graças a ferramentas como uma poderosa rede de comunicação que inclui a retransmissora da TV Globo e suas afiliadas, o maior jornal de São Luís, portal na internet e dezenas de emissoras de rádio.

Durante a campanha, esta rede foi usada descaradamente. A TV Difusora de Imperatriz, afiliada do SBT que pertence à família Lobão, subalterna dos Sarney na oligarquia, chegou a produzir uma série de cinco reportagens sobre o comunismo para sugerir aos telespectadores, em um importante colégio eleitoral do Estado, que Flávio Dino comeria criancinhas no café da manhã — conforme denunciou Renata Mielli em O Escandaloso antijornalismo dos Sarney.

Na entrevista dos candidatos ao governo na TV Mirante, retransmissora da Globo controlada pelos Sarney, quando foi a vez de Dino o apresentador parecia crente de que o candidato implantaria o comunismo expropriando as igrejas católicas.

A ironia é que, eleito em primeiro turno com mais de 63% dos votos, Flávio Dino diz que seu republicanismo será equivalente a uma “revolução burguesa”, a um “choque de capitalismo” no Maranhão.

Na entrevista exclusiva que concedeu ao Viomundo, na sede do PCdoB no centro de São Paulo, o governador eleito explicou como vai enfrentar o PIG local — PIG, Partido da Imprensa Golpista, na feliz definição do deputado Fernando Ferro para a mídia que se acredita dona de mandato divino para governar.

Também explicou o motivo pelo qual não buscará diálogo com os Sarney.

Arnaldo Melo só tem mais uma semana de governo

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A contar pelo decreto estadual que estabelece o recesso de final de ano no período entre 19 de dezembro a 1º de janeiro de 2015, o governador tampão do Maranhão, Arnaldo Melo (PMDB), só terá mais uma semana útil de mandato.

Alertado sobre a decisão assinada antes de Roseana Sarney deixar o governo, Melo parece ter caído na real. Após três dias de intensa comemoração, acordou cedo neste sábado e resolveu vistoriar canteiros de obras no interior.

Na semana que vem, a agenda do executivo se resume a assinatura de atos protocolares, viagens e reuniões com deputados e prefeitos famintos pelo pagamento de emendas e convênios atrasados.

Já a partir do próximo sábado, só restará ao inquilino dos Leões se enclausurar nos aposentos palacianos, enrolado na faixa de governador, até a data da posse de Flávio Dino (PCdoB).