Fraude bilionária no INSS atinge membros de seis partidos
A investigação da Polícia Federal sobre um esquema bilionário de fraudes em descontos de aposentadorias do INSS revelou um amplo envolvimento político, atingindo diretamente integrantes e aliados de ao menos seis partidos, com repercussões tanto no governo Lula quanto na oposição ligada a Jair Bolsonaro. São eles: PDT, PSB, PSD, PT, PL e Republicanos. O levantamento foi feito pelo site Metrópoles.
O caso já provocou a queda do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, além de ter embasado a operação policial deflagrada em abril deste ano. Os prejuízos estimados aos cofres públicos chegam a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
O PDT foi o partido mais atingido e teve como principal vítima o ex-ministro Carlos Lupi, que pediu demissão do cargo. A bancada do PDT na Câmara anunciou afastamento do governo, enquanto a do Senado manteve o apoio a Lula, com posição unânime dos três senadores, incluindo os maranhenses Weverton Rocha e Ana Paula Lobato.
No PSB, além do próprio Stefanutto, afastado por omissão, o deputado estadual maranhense Edson Araújo aparece como beneficiário direto: segundo a PF, ele recebeu R$ 5,4 milhões da Federação das Colônias dos Pescadores do Maranhão, que repassou recursos obtidos por meio de um acordo com a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que arrecadou R$ 99 milhões em mensalidades de aposentados. A CBPA é presidida por Abraão Lincoln, ex-líder do Republicanos no Rio Grande do Norte, com conexões com nomes como o deputado federal Marcelo Crivella e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
O governo Lula, por sua vez, tenta se distanciar do escândalo, alegando que a estrutura fraudulenta teve origem no governo anterior. No entanto, documentos da CGU mostram que os repasses a entidades suspeitas aumentaram na atual gestão. A Contag, por exemplo, presidida por Aristides Veras Santos — irmão do deputado Carlos Veras (PT) —, recebeu R$ 2 bilhões entre 2019 e 2024 e foi alvo de buscas da PF, embora tenha escapado do bloqueio de bens. O ministro Paulo Teixeira (PT) se reuniu com a cúpula da Contag dias após a operação, sem registrar o encontro oficialmente. Também ligado ao PT, Frei Chico, irmão do presidente Lula, é vice-presidente do Sindnapi, entidade que saltou de 170 mil para 420 mil filiados em três anos, com R$ 100 milhões em receitas — número contestado pela entidade.
No PL, o ex-ministro Onyx Lorenzoni foi citado por ter recebido uma doação de R$ 60 mil de Felipe Gomes, então presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, entidade com acordo firmado com o INSS em 2022. O repasse ocorreu durante sua campanha ao governo do RS, quando ele ainda comandava a pasta ligada ao INSS.
Já o ex-ministro José Carlos Oliveira (PSD), que comandou o INSS e a Previdência no governo Bolsonaro, foi citado na investigação por transações suspeitas envolvendo um assessor da Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares). Embora não investigado formalmente, Oliveira é sócio de um auxiliar que recebeu dinheiro da entidade, cujo faturamento disparou 57.000% entre 2019 e 2023.
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