Ney Bello nega relação em suposto esquema entre narcotráfico e judiciário
O desembargador federal Ney de Barros Bello Filho negou qualquer envolvimento em um suposto esquema de corrupção articulado por integrantes do narcotráfico para influenciar decisões judiciais no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O caso foi revelado em reportagem investigativa publicada pela Revista Piauí em janeiro deste ano, mas ganhou forte repercussão no Maranhão no último final de semana, quando voltou a circular em meios políticos e na imprensa local.
Em nota enviada à própria revista na época da publicação, Ney Bello afirmou que não possui qualquer relação com os envolvidos no caso nem com as acusações mencionadas nas investigações da Polícia Federal.
A reportagem cita diálogos interceptados durante apurações sobre tráfico internacional de drogas. Em uma dessas conversas, familiares do narcotraficante Leonardo Costa Nobre mencionam o nome do magistrado ao comentar possíveis negociações para obtenção de decisões judiciais favoráveis.
Segundo o material analisado pela Polícia Federal, uma irmã dele, identificada como Luciana, teria afirmado em uma ligação telefônica que o desembargador “ganha uma beirada”, sugerindo suposto pagamento de propina. Na mesma conversa, ela teria dito que o advogado responsável pelo caso teria repassado cerca de R$ 1,5 milhão ao magistrado.
Ney Bello disse, na nota enviada à Piauí, não possuir relação com o advogado mencionado no caso nem com qualquer tentativa de negociação irregular envolvendo decisões do tribunal.
A investigação mencionada na reportagem aponta a traficante Karine de Oliveira Campos como uma das principais articuladoras de uma rede que buscaria influenciar decisões judiciais para garantir liberdade a integrantes de organizações criminosas. As apurações tiveram origem na Operação Alba Virus, deflagrada em 2019 para desarticular um esquema de envio de cocaína para a Europa por meio de portos brasileiros.
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