Presidente do TRE pede fim da corrupção e da agiotagem no Maranhão

Jornal Pequeno

dinoA operação Lava Jato e o combate à agiotagem no Maranhão foram dois temas fortemente defendidos nos dois discursos feitos durante a Diplomação dos Eleitos em Outubro de 2014. Com um discurso enfático pelo fim da corrupção, o desembargador Froes Sobrinho bateu forte em problemas de desvio de recursos públicos e denunciou a existência de agiotagem na política maranhense.

Froes Sobrinho endureceu o discurso do combate à corrupção, no momento em que o Maranhão é alvo nacional de denúncias de que ex-governadores e senadores do Maranhão estariam envolvidos no maior escândalo de corrupção nacional – o chamado “Petrolão”. A reforma política, que vem sendo exigida em todo o Brasil, também chegou ao discurso do presidente da Corte Eleitoral maranhense.

Para Froes Sobrinho, não é possível que a política continue a conviver com a corrupção, que além de carcomer os cofres públicos, também desacredita as instituições. “É preciso varrer a agiotagem do Maranhão”, defendeu.

A temática utilizada por Froes também foi encampada por Flávio Dino, que se pronunciou minutos antes contra a corrupção e em defesa da Reforma Política para evitar desvios de verbas públicas e garantir que os eleitos exercitem o poder para serem “servidores públicos”, promotores de serviços públicos de qualidade.

Os dois discursos, ao defender o fim do uso do poder para benefício próprio, foram aplaudidos pela plateia de mais de 1500 pessoas. Afinal, é o debate que toma conta de todas as rodas de conversa no Brasil e motivo das manifestações populares que eclodiram nas grandes cidades em junho de 2013. O Maranhão é o Brasil que clama por mudanças profundas.

Sarney fez do Brasil puxadinho de sua biografia

Blog do Josias

2014121828263Principal representante vivo da irracionalidade arcaica brasileira, José Sarney despediu-se do Senado e dos quase 60 anos de atividade política. Planejou a própria imolação com o esmero de um Napoleão se descoroando. Discursou por quase uma hora para um plenário ermo. Vangloriou-se o tempo todo, exceto num parágrafo, que reservou à autocrítica.

“Precisamos levar a sério o problema da reeleição, que precisa acabar, estabelecendo-se um mandato maior”, disse. “Até fazendo mea-culpa, de arrependimento, eu penso que é preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que seja cargo eletivo. […] Eu me arrependo, acho que foi um erro que eu fiz ter voltado, depois de presidente, à vida pública.”

A caída em si de Sarney foi extraordinária. Só não atingiu a plenitude da perfeição porque chegou com o atraso de uma vida. Ainda assim, trouxe uma dose de alívio. A alturas tantas, Sarney declarou-se grato “ao povo brasileiro”, que lhe deu “a oportunidade de ser presidente da República.” Como se sabe, não foi bem assim.

Depois de encher as praças na luta pelas eleições diretas, a Nova República viu subir ao poder, pela via indireta do Colégio Eleitoral, José Sarney, o vice mais versa da história, grande amigo da ditadura militar até seis meses antes. O povo brasileiro é inocente. Sarney deve sua presidência às conspirações do acaso e às bactérias que invadiram o organismo de Tancredo Neves atrás de encrenca.

Sarney foi um presidente da República precário. Governou mal tão bem que não teve condições políticas de indicar um nome para sucedê-lo. Seu aval cairia sobre qualquer candidatura como uma sentença de morte. Mas havia um grande número de brasileiros dispostos a lançar um olhar condescendente sobre sua ex-presidência.

A despeito de tudo o que houve de execrável na sua gestão, Sarney completara, aos trancos e barrancos, a transição da ditadura para a primeira eleição direta. Deu em Fernando Collor. Mas essa é outra história. O que impediu a reabilitação historiográfica foi a decisão de Sarney de continuar o seu destino de Sarney, candidatando-se a senador pelo Amapá.

Eleito, reeleito e re-reeleito, Sarney foi mais Sarney do que nunca. Presidiu o Senado quatro vezes. Estrelou o escândalo dos atos secretos. Deu emprego a uma sobrinha de sua mulher que morava em Campo Grande; deu um contracheque a uma sobrinha do genro que residia em Barcelona; alçou à folha do Estado um personagem (“Secreta”) que trabalhava como mordomo na casa da filha Roseana Sarney…

Não era o Amapá ou o país que tinha um senador. Era Sarney que tinha o Brasil. Sob FHC e Lula, foi brindado com pedaços do Estado. Sempre fez da administração pública o seu ápice existencial. Cavalgando-a, alcançou a prosperidade privada. Seu nome fundiu-se ao patrimonialismo. Sarney transformou o Brasil em puxadinho de sua próspera biografia.

Delações em série: com 12 acordos fechados, Lava-Jato tem colaboração recorde

O Globo

Responsável por investigar o esquema de corrupção na Petrobras, a força-tarefa da Operação Lava-Jato não conseguiu apenas identificar desvios de, pelo menos, R$ 286 milhões na estatal, mas também, pela primeira vez, amarrar mais de uma dezena de acordos de delação premiada. Dado inédito do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná mostra que, até semana passada, foram firmados 12 acordos.

Trata-se da maior quantidade de delações premiadas numa investigação de um grande caso de corrupção recente. Os primeiros acordos — fechados com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e com o doleiro Alberto Youssef — são tidos como fundamentais para o sucesso da investigação e levaram a novas colaborações. Uma vez incriminados, não restou a alguns dos acusados relatar o que sabiam em troca de uma possível redução de pena.

Além deles, os empresários Julio Camargo e Augusto Mendonça, ambos da Toyo Setal; Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras; Carlos Alberto Pereira da Costa, gestor de empresas de Youssef; e Luccas Pace Júnior, assistente da doleira Nelma Kodama, já fizeram acordo. Os demais cinco nomes são sigilosos. Mas não é só. Empresas do grupo Toyo Setal, seis no total, firmaram acordos de leniência com o MP, pelos quais se comprometem a colaborar para tentar evitar punições como a de serem proibidas de firmar novos contratos públicos.

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COSTA DELATOU 28 POLÍTICOS

Procurador que encabeça a força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol (leia entrevista na pág. 4), de 34 anos, é direto ao explicar a importância da delação:

- A gente não teria chegado aos resultados alcançados sem as colaborações.

Para se ter uma ideia do impacto que os acordos podem ter, apenas Costa delatou 28 nomes de políticos. Segundo o ex-diretor, eles teriam se beneficiado do esquema montado na diretoria de Abastecimento da estatal.

A lista entregue por ele deve embasar três dezenas de inquéritos, a serem abertos em fevereiro, quando o Judiciário retonar do recesso. Na lista do delator, constam os ex-ministros Antonio Palocci (PT-SP), Gleisi Hoffmann (PT-SC) e Mário Negromonte (PP-BA); o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN); o atual ministro Edison Lobão, da pasta de Minas e Energia; os ex-governadores Eduardo Campos (PSB), morto em acidente de avião, e Sérgio Cabral (PMDB-RJ); o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, já falecido; além de senadores e deputados.

Ainda pouco difundida no Brasil, a delação premiada é prevista em lei desde a década de 90, quando a redução de pena do delator passou a figurar na Lei de Crimes Hediondos. No entanto, foi em agosto do ano passado que a delação foi institucionalizada na Lei das Organizações Criminosas. Assim, pela 1ª vez, falou-se em termo de colaboração por escrito e, com isso, foi permitida maior eficácia nas investigações.

Foto-Fofoca: Oligarquia Murad em fuga

ri-murad (1)O ex-secretário de Saúde Ricardo Murad (PMDB) não esperou para assistir a diplomação do governador eleito do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Um dos principais articuladores da candidatura derrotada de Edison Lobão Filho (PMDB), o cunhado da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) saiu à francesa, depois que a filha Andréa Murad (PMDB) e o genro Souza Neto (PTN) foram diplomados deputados estaduais.

Na foto ao lado, registrada pelo jornalista Ricardo Santos, Murad puxa a esposa Tereza Murad pelo braço, dirigindo-se à porta de saída do Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana. Andréa acompanhou o pai logo em seguida.

A postura antidemocrática da família Murad não foi compartilhada pelos membros do clã Sarney presentes no ato. Tanto o deputado federal Sarney Filho (PV) quando o filho Adriano Sarney (PV), diplomado deputado estadual, permaneceram até o final da cerimônia e acompanharam o discurso histórico e emocionado de Flávio Dino. (Ouça na íntegra aqui).

A desembargadora Nelma Sarney chegou a ficar constrangida com o pronunciamento do governador eleito – que citou a Operação Lava Jato ao defender a necessidade da reforma política, mas foi acalmada pelos desembargadores Fróz Sobrinho (presidente do Tribunalg

Regional Eleitoral) e Cleones Cunha.

Outra ausência sentida foi a do senador João Alberto (PMDB), que não presenciou a diplomação do próprio filho, João Marcelo (PMDB), eleito deputado federal.

Os comunistas venceram

Mauricio Dias – Carta Capital

O Maranhão acorda e elege Flávio Dino. Manoel da Conceição vibra.

O Maranhão acorda e elege Flávio Dino. Manoel da Conceição vibra.

Dentro de poucos dias, o Brasil dará um passo em direção à modernidade do Maranhão, hoje um estado nordestino em decadência. Os maranhenses estão prestes a perder a condição de súditos de uma oligarquia para se tornarem cidadãos de uma unidade federativa de fato. Pouco ou muito? Na prática, isso significará o fim da dinastia comandada por José Sarney, que, favorecido por fatalidade, no caso a morte de Tancredo Neves, tornou-se o 20º presidente do Brasil entre 1985 e 1990, por eleição indireta.

Demorou essa mudança de status do Maranhão. Uma demora angustiante, mas absolutamente normal em um país onde quase tudo ocorre em movimentos lentos, sem transformações bruscas. A história do Brasil, como anotou, insatisfeito, o jornalista republicano Silva Jardim (1860-1891), “parece puxada a charrete”.

No dia 5 de outubro, a charrete avançou um pouco mais rápido. O ex-juiz federal, ex-deputado federal e professor universitário Flávio Dino, também filiado ao PCdoB e filho de um ex-deputado cassado pela ditadura, acusado de ser comunista, pôde finalmente, abraçado ao pai e ao histórico líder camponês Manoel da Conceição, também vítima do regime militar, comemora: “Os comunistas venceram”.

Não se assuste, pessoal! Isso foi tão somente uma boa ironia dos vencedores com os adeptos de um mundo que ruiu. Tardou, mas aconteceu.

Aos 92 anos de vida, o PCdoB elegeu o seu primeiro governador, derrubando uma oligarquia quase cinquentenária. Mas ela mantém intactos alguns tentáculos poderosos. Ela domina, por exemplo, quase todo o sistema de comunicação do estado. Os Sarney, nesse capítulo, cederam um pouco aos aliados. A família Lobão é um deles. Representada no poder por Edison Lobão, ministro de Minas e Energia de Dilma, e o filho dele, alcunhado Lobinho, que, apoiado oficialmente pelo PT, perdeu a disputa para o governo estadual. Governava então Roseana Sarney.

Pouco antes da eleição, entrevistado pela tevê local, a Mirante, afiliada da Globo, Flávio Dino foi surpreendido com a pergunta inusitada do entrevistador: “Se vencer, o senhor vai implantar o comunismo no Maranhão?”

Em resposta à provocação, Dino prometeu implantar a democracia e mudar os porcentuais hediondos dos indicadores sociais alimentados pelo descaso dos governos dos últimos 50 anos. Ou seja, a família Sarney essencialmente.

Eis alguns exemplos: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está emparelhado com o Brasil… de 1980. Lá está a segunda pior expectativa de vida do País e, também, o segundo maior índice de mortalidade infantil. Esse é um pequeno retrato do flagelo ao qual o IBGE acrescentou, na terça-feira, 16, mais um dado: o Maranhão tem menos da metade da população com alimentação garantida.

O feito de Flávio Dino e aliados “não foi algo simples ou fácil e até desafiou a lógica política de um estado marcado pelo patrimonialismo que sustenta o poder familiar de José Sarney desde 1965”, anota o governador eleito.

A esperança não tinha morrido. Adormecia. Despertou então desse longo pesadelo. Os maranhenses, por quase 64% dos votos, “proclamaram a República”. É outra forma usada por Dino para comemorar a vitória, ocorrida numa das mais pobres regiões do País.

A vitória foi construída, segundo o governador eleito, e um terreno no qual “eram visíveis as rachaduras no bloco oligárquico, que teve dificuldades em definir o projeto e sentiu o peso da rejeição popular”.

O sentimento antioligárquico, manifestado em vários momentos no Maranhão, ampliou-se. A história dessa disputa é muito mais longa e variada. De qualquer forma, mesmo em algumas linhas, o desfecho será igual ao de um relato mais longo. O final feliz.

Saída pela porta dos fundos

Antes do adeus, a governadora Roseana Sarney autorizou  licenças que comprometem a segurança pública do Estado  e interrompeu pagamentos no setor de Saúde.

Antes do adeus, a governadora Roseana Sarney autorizou
licenças que comprometem a segurança pública do Estado
e interrompeu pagamentos no setor de Saúde.

Istoé – Para evitar o constrangimento de entregar a faixa a seu arquirrival, Roseana Sarney renunciou ao cargo de governadora do Maranhão 20 dias antes do fim de seu mandato. O gesto amedrontado e deselegante é apenas uma parte do desastroso processo de transição maranhense. Orientada pelo pai, o ex-presidente José Sarney, que se despediu na quinta-feira 18 do Senado, Roseana deixou como herança para o sucessor, o governador eleito Flávio Dino (PCdoB), um Estado endividado e cheio de armadilhas administrativas. “Ela deixou a confusão para trás e sumiu. Vou tomar posse no escuro”, afirmou o futuro governador, que se elegeu com a promessa de dar fim à dinastia de cinco décadas da família Sarney. Dino ainda desconhece o tamanho do rombo. Só saberá ao certo no dia 1º quando tomar posse. Faltam informações sobre contratos, liberações de verbas a prefeituras e pagamentos de funcionários. O que é possível perceber, até agora, é estarrecedor. Antes de sair, a governadora autorizou licenças que comprometem a segurança pública do Estado e interrompeu pagamentos no setor de Saúde, há duas décadas sem concursos públicos. “A dívida com os precatórios é gigantesca. Não sabemos o que vai ser pago e o que vai ficar para o próximo ano”, lamenta Dino.

O Estado vive dias de apreensão e paralisia, enquanto Roseana desfruta de férias nos Estados Unidos, depois de a Assembléia Legislativa autorizar uma pensão vitalícia de R$ 24 mil para ela. Prefeitos aliados da ex-governadora e empreiteiros correm para a capital, em busca de notícias sobre o pagamento de convênios atrasados. Para agradar ao eleitorado, muitas obras foram entregues antes das eleições. Os prefeitos contavam com a liberação de pelo menos R$ 74 milhões em recursos do Estado e penduraram a conta com as empreiteiras. Mas os repasses ainda não vieram. Agora, o governador em exercício precisa decidir se sangra ainda mais as contas do governo para honrar as dívidas de Roseana ou se cancela os convênios. Todas as opções são ruins para o novo governador. Se pagar, o Estado sofrerá mais um baque no caixa, que não está cobrindo nem mesmo as despesas com áreas cruciais como Saúde e Educação. O calote dos convênios, por outro lado, acirrará a hostilidade política dos ex-aliados da família Sarney. “Sou vítima de uma sabotagem”, acusa Dino.

roseanaOs empresários amigos da família Sarney, no entanto, não foram abandonados por Roseana. Pelo contrário, estão muito bem aquinhoados. Antes de renunciar ao cargo, ela assinou renovação de contratos que só venceriam no decorrer de 2015. Para a surpresa do sucessor, as decisões saíram no “Diário Oficial” com 20 dias de atraso. Mesmo sabendo que estaria fora do governo, Roseana deixou outra bomba para o governador eleito desarmar. Brindou um grupo de coronéis da Polícia Militar com um curso de “tecnologia em segurança pública” por dois anos, mesmo diante da explosão dos índices de violência no Maranhão. Inexplicavelmente, o curso com previsão para começar este mês acontecerá em outro Estado, o Rio Grande do Norte. A consultoria contratada para ministrar as aulas à cúpula da PM do Maranhão custará R$ 9 milhões aos já combalidos cofres do Estado. Numa encruzilhada, Dino tenta ao menos adiar a data da viagem, para não ver a PM desfalcada às vésperas de assumir o mandato. Antes de renunciar, Roseana ainda tentou assinar um contrato de R$ 1,3 bilhão relativo à administração penitenciária, equivalente a 8% do orçamento total do Maranhão. Essa medida, no entanto, a nova administração conseguiu reverter.

Ao mesmo tempo que cria dificuldades para o novo governo, Roseana trabalhou para não deixar rastros sobre problemas de sua gestão. A sessão de pessoal do “Diário Oficial” já trouxe exoneração de 200 funcionários comissionados. Muitos deles nem sequer cumpriam o meio expediente de trabalho do governo e outros pertenciam à família da governadora e de seu marido, Jorge Murad. Ao deixar o Senado, na quinta-feira 18, Sarney nem enrubesceu a face ao dizer que deixava o Maranhão “na vanguarda” do País. 

Governador eleito do Maranhão, Flávio Dino é diplomado pelo TRE

_MG_3743 (1)De quem são e o que significam os diplomas entregues na tarde do dia 19 de dezembro de 2014, em São Luís, aos candidatos eleitos? Com esta reflexão, Flávio Dino conduziu o discurso de diplomação para frisar que sua atuação como governador será em nome dos milhões de maranhenses que sofrem pela falta de assistência do Poder Público.

Eleito governador do Maranhão com 63,4% dos votos no primeiro turno, Flávio Dino fez seu primeiro pronunciamento oficial na Diplomação dos Eleitos organizada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Para ele, o ato da diplomação marca a vontade de milhões de maranhenses esquecidos pelo Poder Público, e que devem ser lembrados em todas as ações do próximo governo.

Defendendo a superação das desigualdades refletidas nos índices sociais alarmantes como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Dino afirmou que a diplomação não é um mero ato formal, mas um momento carregado de significados.

“Este diploma não é estático, mas é impregnado de vida. Do abraço que foi dado pela criança que encontramos na campanha, por aquela senhora que dizia que ora por nós. Este momento pertence aos mais humildes, aos esquecidos do Maranhão,” disse.

O foco no combate às desigualdades reflete o entendimento do próximo governador do Estado sobre as prioridades para o Maranhão. Segundo ele, o diploma materializa a missão “grandiosa que os eleitos têm pela frente”. Essa missão não é de autoridade, mas de promover a igualdade entre os maranhenses, disse emocionado.

Com o diploma, completou Flávio Dino, os eleitos estão investidos da missão de “ser servidor público, de servir ao povo, de não estar acima dos homens e das mulheres, mas estar junto a eles.”

Uma das metas a serem perseguidas cotidianamente é a fome, que ainda atinge metade dos maranhenses. Dados divulgados pelo PNAD esta semana revelaram que o Maranhão é o estado que possui o maior número de pessoas com insegurança alimentar. “Fome: palavra forte, aguda, cortante, mas que deve ser pronunciada para que lembremos sempre de nossa maior batalha. Essa é a missão que dá sentido maior a este momento”.

Além das desigualdades sociais, Flávio destacou o combate à corrupção e à reforma política que se colocam como temas centrais para atender aos clamores da sociedade, que esperam dos seus representantes políticos a representação “à altura do que os brasileiros merecem” e a prestação de serviços públicos de qualidade.

Acompanhado pela esposa Daniela Lima, Flávio Dino homenageou os seus familiares e se emocionou ao lembrar que seu pai, Sálvio Dino empenhou-se pessoalmente nas caminhadas, carreatas e ações da campanha. Dino citou ainda sua mãe, Rita Maria, e seus irmãos que acompanharam toda a cerimônia. O governador eleito agradeceu ainda aos parceiros de coligação e aos membros do TRE e servidores da Justiça que se empenharam para garantir eleições democráticas no estado.

E finalizou, emocionado: “Aproveito também para agradecer a generosidade do povo do Maranhão. Autenticamente sinto o peso das palavras que pronuncio e sinto peso das tarefas que nos foi incumbida. Junto com elas, sinto também coragem para enfrentar os desafios e por fim às desigualdades”.

Foto-Fofoca: Mensagem caridosa?

lula filho

Magno Bacelar alopra em discurso de despedida

magno bacelarO folclórico deputado estadual Magno Bacelar (PV) despediu-se da Assembleia Legislativa do Maranhão em discurso na manhã da quinta-feira (18), depois de não conseguir se reeleger por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Como nem poderia deixar de ser, o último pronunciamento do ferrenho defensor do clã Sarney levou os demais parlamentares ao riso.

Magno disse ter se arrependido por oferecer a medalha Manoel Beckman à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), destacando os elogios rasgados da petista à deputada estadual Valéria Macedo (PDT) na ocasião da entrega da condecoração.

- A presidenta Dilma, quando esteve no Palácio dos Leões recebendo a medalha, olhou para a deputada Valéria — não esqueço disso — e disse: “A senhora é uma deputada muito bonita!” Foi a única coisa que a Dilma deixou no Maranhão, quando deveria deixar a Refinaria Premium ou a Faculdade de Medicina. Hoje eu não daria essa medalha para a presidenta, afirmou o deputado.

O vice-líder do governo também mostrou-se magoado com Roseana Sarney, alegando que a ex-governadora nunca o recebeu em audiência.

- Eu tenho que dizer isso aqui: marquei várias audiências com a governadora Roseana Sarney, e nunca fui recebido no Palácio dos Leões por ela, mas aqui eu a defendia. Evidentemente, não fui recebido, mas defendi o seu governo.

Alvo preferencial dos ataques tresloucados de Bacelar, o deputado estadual Marcelo Tavares (PSB) não perdeu a oportunidade de espezinhar o colega:

- Só fazendo duas sugestões ao deputado Magno: A primeira que ele faça um ofício pedindo a medalha de volta e a segunda que ele poderia não ter rompido com Roseana alguns dias antes dela deixar o governo. Depois que sai, perde a graça, deputado Magno. Deveria ter sido quando ela ainda estava lá dentro do Palácio dos Leões, defendeu o futuro chefe da Casa Civil.

Na sessão da quarta-feira (17), Magno sugeriu que a deputada estadual Eliziane Gama (PPS) não era de se jogar fora e chegou a insinuar que Humberto Coutinho (PDT) só seguiu a carreira médica e entrou para a política por causa dos seus sábios conselhos.

Dono da academia que promove curso para coronéis já foi homenageado por Roseana

Blog Jorge Vieira

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A ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), acusada de fazer parte da quadrilha que quebrou a Petrobras e cobrar propina de R$ 6 milhões para liberar o pagamento do precatório da Constran, assinou decreto, em 28 de dezembro de 2009, concedendo Medalha do Mérito Militar, denominada “Medalha Brigadeiro Falcão”, instituída pelo Governo do Maranhão, ao Tenente Coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, José Walterler dos Santos Silva, dono da Academia Walterler, que oferece cursos de treinamento a militares.

O edital lançado pelo Comando da Polícia Militar do Maranhão, convidando os interessados a se inscreverem, curiosamente foi lançado no dia 28 de novembro para um curso que está previsto para começar em 22 de dezembro, véspera do Natal, e no qual se escreveram apenas os coronéis que já estão perto da aposentadoria, o que leva a crer que trata-se apenas de mais uma sinecura para levar militares de alta patente e seus familiares para passarem dois anos nas paradisíacas praias do Rio Grande do Norte pagos com o dinheiro do contribuinte.

Embora no edital não conste o valor do contrato com a Academia Walterler, pertencente ao militar homenageado por Roseana, e nem o quantitativo de policiais beneficiados, fonte segura da Secretaria de Segurança revela que os custos para esse suposto “treinamento” de 53 militares, que pode durar de três meses a dois anos, é da ordem de R$ 9 milhões, pago pelo Governo do Maranhão.     

Para que esses militares que se inscreveram para fugir do trabalho ainda são oferecidos hospedagem, passagens e todo o custeio mediante subsídio. O mais vergonhoso, no entanto, são doze coronéis se inscreverem de uma única vez com a nítida finalidade de politizar o ambiente na corporação e criar dificuldade para o futuro governo que toma em primeiro de janeiro de 2015.